domingo, 22 de novembro de 2015

Transtorno Desafiador de Oposição

Entrevista de Judith Beck sobre Terapia Cognitiva e Depressão



Dez estratégias para educar as crianças em inteligência emocional

As emoções vestem cada aspecto das nossas vidas e do nosso cotidiano. Saber controlá-las, gerenciá-las e utilizá-las com habilidade adequada, nos permitirá,
sem dúvida, enfrentar o nosso dia a dia de um modo mais eficiente. Neste artigo você aprenderá dicas de como utilizar de forma mais efetiva sua inteligência emocional.
Emoção, pensamento e ação são os três pilares que sustentam cada parte do nosso ser, daí a importância de nos aprofundarmos nesse tipo de conhecimento para enfrentar determinadas situações, para nos desenvolver em nossa sociedade de um modo eficiente. Então, não é imprescindível que as crianças comecem cedo o aprendizado da Inteligência Emocional?
Vamos pensar, por exemplo, nas crianças com uma baixa capacidade para lidar com a frustração e inclusive para obedecer uma ordem negativa. Crianças que não respeitam seus pares e que, no futuro, estarão condenadas a uma realidade onde a infelicidade será com o que terão que viver, ao serem incapazes de compreender os demais. O conhecimento, a compreensão e o controle das emoções são básicos para que nossos filhos se desenvolvam adequadamente em sociedade, por isso sugerimos esses princípios para que sejam introduzidos no sempre interessante campo da Inteligência Emocional. 

Utilize a inteligência emocional para:

1. Controle a sua raiva





Até os 18 meses, as crianças precisam basicamente do afeto e do cuidado dos seus pais, pois tudo isso traz a segurança suficiente para se adaptar em seu meio, para explorar e dominar seus medos. Mas temos que considerar que, a partir dos 6 meses, vão começar a desenvolver a raiva e por isso a importância de saber canalizar suas reações e corrigir qualquer ação negativa. 
Há bebês que podem bater em seus pais ou irmãos, gritar com raiva quando se oferece alguma coisa, ações que, para os pais, pode ser engraçada, mas lembramos que é importante estabelecer limites desde que nascem e, principalmente, conversar com as crianças continuamente e em cada momento; as crianças entendem muito mais do que expressam, por isso a necessidade de ensinar-lhes e de controlar esses ataques de raiva.

2. Reconhecer emoções básicas




A partir dos dois anos, chegamos a uma idade perfeita para incluir as crianças no campo de reconhecimento das emoções. É quando eles começam a interagir com os adultos e com outras crianças de modo mais aberto, assim podemos realizar vários exercícios com eles, como introduzi-los as emoções básicas: alegria, tristeza, medo e raiva. Como? Mediante fotografias de rostos, desenhos, perguntando-lhes questões como “O que acontece com essa criança?” “Ele está triste?” “Por que acha que ele está triste?”. É uma maneira perfeita para que aprendam a reconhecer não só suas emoções pouco a pouco, como também as emoções dos demais e, sobretudo, desenvolver sua empatia.

3. Saber nomear as emoções




A partir dos 5 anos seria perfeito se as crianças soubessem nomear as emoções de modo habitual: “estou irritado porque você não me levou no parque”, “estou feliz porque amanhã vamos na excursão”, “Tenho medo que apaguem a luz porque me sinto sozinho”.

4. Saber enfrentar as emoções com exemplos




É habitual que as crianças, algumas vezes,  vejam-se superadas pelas emoções, pela raiva que lhes faz gritar ou bater nas coisas. É preciso que não reforcemos essas situações. Uma vez que a raiva tenha passado, podemos, por exemplo, ensinar-lhes que antes de gritar ou bater, é melhor expressar em voz alta o que está irritando. Que aprendam a expressar seus sentimentos desde bem pequenos.

5. Desenvolver a sua empatia



Para desenvolver uma dimensão tão importante quanto essa, é necessário raciocinar com eles continuamente fazendo perguntas. “Como você acha que seu avô se sente depois do que você disse?”, “Por que você acha que a sua irmã está chorando?”, “Você acha que seu pai está feliz hoje?”

6. Desenvolver a sua comunicação




Falar com as crianças, fazer perguntas, raciocinar, julgar, dar exemplos… são coisas imprescindíveis para a sua educação. Devemos favorecer continuamente que possam se expressar, colocar em voz alta a sua opinião e os seus sentimentos, que aprendam a dialogar.

7. A importância de saber escutar

Imprescindível. Desde muito pequenos devem saber manter silêncio enquanto os outros falam, mas não só isso, deve ser uma escuta ativa. Por isso, recomenda-se falar com eles devagar, frente a frente, e terminando as frases com “você entendeu?”, “concorda?”.

8. Iniciá-los nas emoções secundárias




A partir dos 10 ou 11 anos vão surgir nas suas vidas emoções secundárias que vão pesar mais em suas vidas, tais como o amor, a vergonha, a ansiedade… é sempre adequado que uma boa comunicação com eles nos permita falar desses assuntos abertamente, eles devem se sentir seguros diante dessas novas emoções que surgem em seu dia a dia. Haverá situações que causarão muita ansiedade, como por exemplo uma prova, realidades que vão ser constantes nas suas vidas e que devem aprender a gerenciar.

9. Fomentar um diálogo democrático



À medida que as crianças vão crescendo, aparecerão mais demandas, e desde pequenos devemos ensinar-lhes a importância de compartilhar, dialogar, negociar de modo democrático. A família é um exemplo da sociedade e o melhor campo de aprendizagem.

10. Abertura à expressão de emoções




É essencial que possamos proporcionar aos nossos filhos a confiança apropriada para que ponham em voz alta aquilo que lhes preocupa, que lhes faz infelizes e também felizes. O lar e a escola serão os primeiros cenários onde sua vida se desenvolverá; se lhes oferecemos comodidade para que possam se expressar e se comunicar, também o farão à medida em que crescerem em outros contextos.
O saber se comunicar e o reconhecer emoções próprias e alheias são, sem dúvida, imprescindíveis para que possam amadurecer pouco a pouco e alcançar uma solvência adequada para se integrarem à sociedade e serem felizes nela. Nós podemos lhes dar essa oportunidade…



Os 4 mitos da felicidade: Terapia da Aceitação e Compromisso (ACT)

“Quanto mais tentarmos evitar a realidade básica de que a vida humana envolve dor, mais nós teremos que lutar contra a dor quando ela aparecer, o que vai criar ainda mais sofrimento” (Russ Harris). 
Olá amigos!
Uma das mais recentes e inovadoras abordagens da psicologia é chamada de Terapia de Aceitação e Compromisso. Em inglês, Acceptance and Commitment Therapy ou, simplesmente, ACTCriada pelo psicólogo americano Steven Hays e desenvolvida por outros como Kelly Wilson e Kirk Stroshal, a ACT vem se desenvolvendo no mundo.
Um dos maiores divulgadores é Russ Harris, médico australiano e autor de alguns dos melhores livros para começarmos a entender mais sobre esta nova linha. Neste texto, utilizarei o livro de Harris, The Happiness Trap – a armadilha da felicidade – para compartilhar com vocês 4 mitos sobre a felicidade que, paradoxalmente, nos impedem de sermos mais felizes.

Definição de felicidade

Existem duas definições básicas para felicidade:
  1. Felicidade é um sentimento: um sentimento de prazer, gratificação, contentamento.
  2. Felicidade é ter uma vida significativa, ou seja, ter um sentido para viver, fazendo o que realmente importa em nossos corações, indo em busca de objetivos que consideramos válidos e importantes.
Em inglês, a palavra hapiness é totalmente ligada, em seu campo semântico, com happy. Assim como aqui, em português, usamos felicidade e ser feliz ou estar feliz. Porém, em inglês,  happy também possui a conotação de alegria. De toda forma, nas duas línguas encontramos o significado da palavra felicidade como uma sensação momentânea e como um sentido maior para a existência. Por exemplo, “eu estou feliz, alegre, agora” ou “eu sou feliz porque eu faço o que eu amo, porque eu tenho a sorte de conviver com minha família, etc”.
Entretanto, é muito comum a confusão dos dois significados. Uma vida feliz, significativa – no segundo sentido – não será uma vida alegre o tempo todo. Uma vida significativa, uma vida de alguém que busca realizar-se, é uma vida que também conterá outros, senão todos, sentimentos. Se vamos em busca dos nossos sonhos, se queremos contribuir com a sociedade em que vivemos, certamente sentiremos tristeza, dor, descontentamento, raiva, e o que for porque a felicidade genuína não se trata de ter somente momentos agradáveis.
Creio que isso ficará mais claro ao vermos os 4 mitos da felicidade:

Mito 1: E viveram felizes para sempre

Contos de fada, filmes de Hollywood, romances frequentemente apresentam o que chamamos de final feliz: “e viveram felizes para sempre”. Há, neste tipo de pensamento, um pressuposto de que os seres humanos são naturalmente felizes. Nasceram já felizes ou, superando esta ou aquela dificuldade, serão felizes sem fazer nada.
Ora, se olharmos as estatísticas dos transtornos mentais, veremos que outro quadro se apresenta. 30% das pessoas apresentam um tipo de transtorno mental ao longo de sua vida. 10% da população adulta mundial está, hoje, diagnosticada com depressão. 25% das pessoas passam por fases de ter um determinado tipo de adição com drogas ou álcool. 50% das pessoas pensaram pelo menos uma vez, seriamente, em suicídio e 10% chegam a tentar.
Com este quadro, vemos que as coisas não estão muito fáceis. Mas, na verdade, apesar de todo o nosso desenvolvimento tecnológico (Harris diz que certamente uma pessoa de classe média vive melhor do que um rei do século passado), nós herdamos uma estrutura cerebral que, em sua evolução como espécie, teve que lidar com muitos perigos e ameaças. Consequentemente, quem sobreviveu e passou os seus genes para os seus descendentes, foram aqueles que melhor conseguiram prever problemas e dificuldades.
Esse é um argumento central na ACT. De certa forma, não é natural ser feliz no sentido 1. É normal ter um sistema de alerta, de luta e fuga, que prevê situações desagradáveis o tempo todo para se proteger. Porém, embora este sistema em nossos cérebros seja eficaz para perigos externos, é inadequado para lidar com os “perigos internos”, ou seja, com pensamento, sentimentos e sensações negativas.

Mito 2: Se você não é feliz, você tem um problema

Na psicologia e na psiquiatria, na medicina em geral, e, por derivação, na sociedade e cultura ocidental existe a compreensão de que o sofrimento é anormal. Afinal, qualquer dor é tratada com um analgésico ou droga mais forte. Mas não só no corpo. Especialmente o sofrimento psíquico é tido como um mal funcionamento do cérebro, como se diz, “falta um parafuso na cabeça” (senso comum) ou “falta a produção de uma substância química” (psiquiatria).
Para a ACT, passar por sofrimentos, físicos ou psíquicos, é algo absolutamente normal. Se você sofre uma decepção, é natural sofrer por ter passado por este processo. Contudo, isso não significa que não podemos aprender a lidar melhor com a dor, seja ela qual for. Este é o objetivo da ACT.

Mito 3: Para criar uma vida significativa, é preciso fugir de sentimentos negativos

Se pensamos que uma dor qualquer, por menor que seja, é anormal, nós faremos de tudo para evitá-la. Ao procurar evitar, sofreremos mais. Se aprendermos a lidar com o sofrimento e se compreendermos que passaremos por todo tipo de sensação e sentimento ao longo de uma vida – uma vida significativa – então conseguiremos entender o processo e conseguiremos lidar de uma forma mais adequada com o que acontecer.
Penso que o melhor exemplo de querer evitar um sentimento negativo está nos vícios de substâncias. Uma pessoa que usa uma droga, ainda que não saiba, tem a ideia da felicidade com o sentido 1. Emoções agradáveis que devem durar. Como o efeito de uma droga – prescrita ou não por um médico – é temporária, cria-se o ciclo do vício. “Não quero sentir como estou me sentindo… logo vou tomar isso, aquilo, aquilo outro….”

Mito 4: Você deve ser capaz de controlar o que pensa e sente

O quarto mito é de que deveríamos ser capazes de controlar o nosso estado psíquico. Se praticarmos meditação, Mindfulness, ou se procurarmos observar por alguns instantes os nosso próximos pensamentos, veremos que os pensamentos surgem a despeito do nosso querer. É preciso aceitar o fato de que temos muito menos controle sobre os nossos pensamentos e sentimentos do que gostaríamos.
A chave está em saber que, no que tange às nossas ações, é diferente. Podemos controlar as nossas ações e são as nossas ações que nos conduzirão a uma vida significativa e feliz (no sentido 2).

Conclusão

Estes quatro mitos compõe a base do que Russ Harris chama de a armadilha da felicidade. É muito comum observamos no consultório como as pessoas freqüentemente expressam estes quatro mitos. Por exemplo, um paciente pode dizer que, apesar de observar melhoras importantes em sua vida, não se sente o tempo todo feliz (alegre) e, portanto, crê que a terapia não está dando certo. Outro paciente pode achar que por ter este ou aquele pensamento negativo não está bem. Ou por estar sofrendo por uma perda, está doente.


Em livro, psicólogo diz que a dor da rejeição ativa as mesmas áreas da dor física


O sentimento de rejeição é provavelmente a ferida psicológica mais comum e recorrente nas nossas vidas, afirma o livro "Emotional First Aid" (Primeiros Socorros Emocionais), recentemente lançado nos Estados Unidos.
Não há quem não tenha sido preterido em alguma brincadeira infantil, esquecido na hora de uma festa, perdido o emprego ou sofrido desilusão amorosa, enumera o doutor em psicologia e especialista em terapia de casais Guy Winch, autor da obra.
"As rejeições são os cortes e arranhões psicológicos que machucam a pele emocional e penetram na carne", diz ele. Mesmo com a frequência das ocorrências, o rejeitado pode não conseguir formar uma carapaça --muitos sofrem tanto que a dor lhes inunda de raiva e solapa a autoestima.
Não é para menos, explica a terapeuta de casais Marina Vasconcellos. "O ser humano tem necessidade de ser aprovado, de ser aceito. Pertencer a uma sociedade, a uma família, é uma necessidade básica. E a rejeição tira esse direito. Fica um vazio."
A sensação é profunda, diz ela: "Dói no peito, parece que estão enfiando uma faca".
Não se trata de figura de linguagem. Em seu livro, Winch cita estudos que, por meio de ressonância magnética, mostram que a dor da exclusão social ativa no cérebro as mesmas áreas acionadas pela dor física.
O mesmo acontece em relação ao sofrimento amoroso, demonstrou trabalho mais recente, não citado no livro. Em pesquisa feita nos EUA, 40 pessoas que tinham recentemente levado um chute do parceiro foram submetidas a duas experiências: em uma, viram fotos de seus "ex"; na outra, receberam estímulos térmicos semelhantes ao de café quente derramado na mão. Nos dois casos, o cérebro deu respostas similares (veja ao lado).
As reações das pessoas, porém, são diferentes. Há os que simplesmente superam, vão em frente, mas também há os que caem na autocomiseração e na depressão. Sem falar nos casos em que a rejeição se transforma em raiva.
"É uma reação que pode vir da própria depressão. Você está indo para o fosso, então violentamente tenta sair do fosso", afirma a terapeuta de casais Tai Castilho.
Em 551 casos de homens que mataram suas mulheres nos Estados Unidos, quase a metade dos crimes ocorreu em resposta a uma separação, constataram cientistas citados no livro de Winch.
FRUSTRAÇÃO
As pessoas estão menos capazes de lidar com as rejeições impostas pela vida, avalia Araceli Albino, presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo. "Há pessoas que acham que o mundo é uma grande teta e que todos têm de fazer o que elas querem", diz.
"O mundo contemporâneo propaga que é possível você ter tudo; se você não tiver, não alcançar, a frustração é maior", afirma Castilho.
Talvez por isso, diz Vasconcellos, as relações sejam mais instáveis. "As coisas estão mais passageiras. Em relações amorosas, as pessoas não investem o quanto deveriam investir. Se está difícil, já passam para outra."
Mas fica a dor. Que pode ser superada. "É preciso encarar a rejeição como um aspecto da vida. E reconhecer que você pode trilhar outro caminho para abrandar a dor", orienta Joel Rennó Jr., psiquiatra do Programa de Saúde da Mulher da USP.
Não que isso seja simples. Em muitos casos, é preciso buscar ajuda de um especialista. Mas o rejeitado também pode se ajudar. "Ouça o que as pessoas falam de você, e não apenas o que você pensa", diz Marina Vasconcellos. E não tenha vergonha de falar sobre o assunto, propõe Tai Castilho: "As pessoas não devem ficar trancadas".

Para ser feliz, basta treinar a sua mente, diz monge budista Matthieu Ricard

Se você acredita que a felicidade está naquela torta de morango suculenta, no cheirinho de carro novo, na chave do apartamento ou até em determinada pessoa e, principalmente, em fórmulas prontas de autoajuda, sentimos em decepcionar: não é nada disso. O "segredo" de felicidade está em meditar e aprender a controlar a própria mente. Quem afirma é o monge budista especialista em biologia molecular Matthieu Ricard, considerado o "homem mais feliz do mundo".
Há 15 anos, ele estuda como a meditação é capaz de causar alterações na mente. Para ele, a felicidade deve ser entendida como um sentimento profundo de serenidade e realização que sustenta todos os outros estados emocionais. Ou, se você quiser simplificar, é aquela sensação plena de bem-estar, mesmo quando o mundo está caindo à sua volta (ele conta aqui como chegou até ela).
Em seu novo livro, intitulado A Revolução do Altruísmo (Palas Athena, R$ 82), Matthieu explica como uma sociedade mais feliz e altruísta pode ajudar até a frear o aquecimento global e gerar mais qualidade nas relações pessoais. Mas, como isso é possível em tempos de relações líquidas e consumo desenfreado? Em um bate-papo rápido com o Brasil Post, logo após uma palestra na Editora Abril, Matthieu contou que o primeiro passo para alcançar a felicidade é praticar meditação e cultivar a compaixão para, então, mudar sua perspectiva.
Brasil Post: Como o mundo seria se todas as pessoas alcançassem o mesmo nível de felicidade que você?
Matthieu Ricard: Isso não quer dizer nada. Eu não sei absolutamente nada sobre o meu nível de felicidade. Não dá para medir quem é a pessoa mais 'feliz do mundo'. O que eu sei, o que eu desejo, é que as pessoas cultivem um nível elevado de amor, gentileza, altruísmo e compaixão umas com as outras. Se isso acontecesse, seria muito bom para o mundo. Egoísmo não deixa ninguém feliz; ser feliz e compartilhar este sentimento com os outros certamente faria um mundo melhor.
Como algo simples como a meditação pode ser tão transformadora?
Meditar é cultivar um estado mental. O segredo está em praticar. Nenhum atleta consegue vencer competições sem treino, não é? É preciso treinar para desenvolver o potencial. Então, se nesse "cultivo" você semear bons sentimentos como altruísmo e, principalmente, compaixão, o efeito é transformador. Hoje existem estudos científicos que comprovam isso. Quanto mais praticar, mais será significativa a mudança no seu pensamento. A ideia é conseguir que sentimentos como ódio, ganância, raiva, culpa desapareçam aos poucos da mente. E isso é transformador, mas leva tempo.
Mas como esta transformação é possível se as pessoas parecem estar obcecadas pelo sofrimento? É uma questão de escolha?
O sofrimento não é uma escolha. Mas a forma com que você experiencia ele, sim. Isso, sim, é uma escolha. Ao se transformar e buscar algo melhor para si, você automaticamente está buscando algo melhor para o mundo. Você pode estar no paraíso e se sentir infeliz. É disso que se trata: bem-estar pleno. A sua mente pode ser o seu melhor inimigo ou o seu melhor amigo.
BÔNUS: como meditar?
O ideal é praticar 20 minutos por dia, durante um mês. Segundo Matthieu, estudos demonstraram que este período de prática, mesmo curto, modifica a estrutura e o funcionamento do cérebro, ativando áreas ligadas a emoções positivas e o volume das áreas ligadas à aprendizagem e ao controle emocional (Matthieu Ricard explica detalhadamente neste vídeo). Atualmente, existem aplicativos outras formas de meditar que qualquer um pode fazer (aqui estão 14 coisas que você precisa saber antes de começar a meditar).

Para ter acesso à reportagem completa clique aqui: http://www.brasilpost.com.br/2015/05/21/mente-felicidade_n_7391270.html

10 Princípios da Terapia Cognitiva

Olá amigos,
Hoje vamos falar a respeito dos 10 princípios da Terapia Cognitiva, conforme descritos por Judith Beck, filha do criador desta abordagem e também terapeuta cognitiva, no livro: “Terapia Cognitiva: Teoria e Prática”. Ao longo do texto, vou citar cada um dos princípios, de acordo com a renomada autora e comentar com minhas palavras o significado de cada um deles.

10 Princípios da Terapia Cognitiva

Princípio 1: A terapia cognitiva se baseia em uma formulação em contínuo desenvolvimento do paciente e de seus problemas em termos cognitivos. 
Em outras palavras, a avaliação psicológica feita pelo terapeuta cognitivo está sempre em processo, sempre acontecendo, e evoluindo de acordo com as sessões. Ou seja, não há uma formulação única e definitiva, uma forma fechada de ver o paciente como sendo X ou como tendo o comportamento Y. A avaliação é constantemente revisada, levando-se em conta, também, as mudanças que vão ocorrendo ao longo do tempo, com a sequência das sessões.
Princípio 2: A terapia cognitiva requer uma aliança terapêutica segura
Isto significa que o terapeuta vai buscar criar um clima de confiança, para que o paciente se sinta livre para se abrir e contar o que for necessário durante as consultas. Com isso, a empatia, a atenção e o respeito verdadeiro por parte do terapeuta são fundamentais para que as sessões possam fluir a contento. Com a experiência de mais de cinco décadas, a abordagem da terapia cognitiva afirma que, enquanto alguns pacientes tem facilidade de confiar, outros podem apresentar extrema dificuldade, o que torna as sessões não somente mais lentas, mas faz com que a aliança terapêutica segura exija uma preocupação maior.
Princípio 3: A terapia cognitiva enfatiza a colaboração e participação ativa
Em cada sessão, o terapeuta e o paciente estão com colaboração e isto quer dizer que ambos decidem o conteúdo que será trabalhado, o número de sessões semanais que é ideal para a eficácia do tratamento, se é adequado ou não uma determinada “tarefa de casa” a ser realizada pelo paciente. Portanto, o terapeuta tem uma participação ativa no processo da terapia, propondo o seguimento das próximas consultas, bem como o resumo final em cada uma delas. Enfim, há sempre o encorajamento de que as consultas sejam em mútuo acordo, com o objetivo último de dar cada vez mais autonomia para quem buscou o tratamento.
Princípio 4: A terapia cognitiva é orientada em meta e focalizada em problemas
Este é um dos principais princípios da terapia cognitiva, em minha opinião, pois demonstra que há um foco, há uma meta, há um objetivo no tratamento como um todo, mas também em cada sessão deste. O quarto princípio está claramente em distinção com toda a linha terapêutica que vem da psicanálise e é chamada de psicodinâmica, ou seja, todas as outras linhas que não são diretivas e deixam que o conteúdo surja a partir do inconsciente.
Assim, na terapia cognitiva já na primeira sessão há o levantamento completo do porquê do tratamento, o que vai ser tratado, qual é o problema específico a ser resolvido a fim de que ao final possa ser feita uma avaliação se foi positivo ou negativo, se foi eficaz ou ineficaz – o que nem sempre é possível em outros tratamentos psicológicos. Evidente, que a terapia cognitiva já demonstrou a sua eficácia, mas é sempre interessante saber que, no final, há a possibilidade de saber em detalhes o que ocorreu, como ocorreu e para que.
Portanto, há uma orientação a ser buscada no consultório para cada um, há um foco, um objetivo, uma meta (ou várias). Com isso, o terapeuta pode se organizar para utilizar as melhores estratégias para resolver os problemas, ajudando o paciente a mudar de pensamento e agir de formas mais funcionais.
Princípio 5: A terapia cognitiva inicialmente enfatiza o presente
Este princípio também é importantíssimo para a terapia cognitiva. O que é interessante de observarmos é que, para a grande maioria dos pacientes, o problema está localizado no momento presente, embora seja projetado em causas do passado ou ideias sobre o futuro.
Se em todas as hipóteses, o único tempo que temos disponível para mudar é o presente, há uma grande ênfase sobre o momento atual, enfrentamento da realidade como ela é, e não como é imaginada ou temida.
Apenas pelo fato de ter o seu centro no presente, já pode-se notar (com algumas sessões) uma grande mudança por parte do paciente. Afinal, ficar preso no passado não ajuda ninguém, nem ficar temendo mil situações que não aconteceram e provavelmente não vão acontecer.
Entretanto, é importante deixar claro que a terapia cognitiva não desconsidera a história de vida do paciente, mas enfatiza o presente pois quer provocar mudanças aqui-e-agora. O passado é trazido em três situações típicas: quando o paciente tem grande interesse nele; quando o foco no presente não provoca mudanças significativas ou quando há a necessidade de entender a relação de causas e efeitos entre o passado e o presente.
Princípio 6: A terapia cognitiva é educativa, visa ensinar o paciente a ser seu próprio terapeuta e enfatiza prevenção da recaída
Dependendo de cada caso, o terapeuta vai também dar um suporte educativo sobre o problema que está sendo enfrentado no momento. Por exemplo, se o paciente tem um determinado transtorno ou um sintoma específico, cabe ao terapeuta informar ao paciente sobre o seu significado, sobre a natureza do transtorno ou sintoma, sobre o caminho a ser trilhado e sobre possíveis dificuldades (como recaídas no comportamento anterior) que podem ocorrer após o final da terapia.
Mas, mais do que isso, há no tratamento da terapia cognitiva a explicação a respeito do modelo cognitivo (como o modo de pensar influencia as emoções e ações). Em outras palavras, o paciente não só aprende como funciona a sua própria personalidade, mas também aprende a criar a sua própria mudança comportamental, para que em situações futuras possa ser sua própria o próprio terapeuta, o terapeuta de si mesmo.
Princípio 7: A terapia cognitiva visa ter um tempo limitado
Este princípio é autoexplicativo: mesmo em situações de transtornos mais graves, existe um limite para a conclusão do tratamento, pois, a partir de estatísticas e modelos das sessões, é possível saber quanto tempo é necessário para que cada situação, para que cada problema, para que cada transtorno seja tratado. Por exemplo, pacientes com sintomas depressivos são tratados, em média, em 4 a 14 sessões.
Apesar disso, como na psicologia sempre lidamos com o indivíduo, é possível que, em alguns casos, o tempo seja aumentado a fim de tratar mais a fundo os padrões mentais rígidos e fixos mais complexos.
Princípio 8: As sessões de terapia cognitiva são estruturadas
Independe do problema ou sintoma de cada paciente, há um estrutura definida em cada sessão. Em geral, há a avaliação do humor do paciente, uma avaliação dos dias que se passaram entre a última sessão e a atual, bem como cria-se a definição do que será tratado nesta, em comum acordo entre terapeuta e paciente e o estabelecimento de uma “tarefa de casa” para ser feita até a sessão seguinte.
Ao longo de todo o tratamento, as sessões seguem este padrão de avaliação do humor, revisão do tempo desde o último encontro, definição do problema a ser tratado na sessão atual e criação de uma atividade a ser realizada para sanar o problema específico do presente.
Princípio 9: A terapia cognitiva ensina os pacientes a identificar, avaliar e responder a seus pensamentos e crenças disfuncionais
Tendo em vista o princípio 6, a terapia cognitiva auxilia o paciente a observar os próprios sentimentos, a avaliar suas crenças e pensamentos que estão influenciando o seu agir e o seu humor para que, entre as sessões e apos o fim da terapia, haja a possibilidade de autoavaliação, de autonomia, de conseguir lidar com as próprias dificuldades e problemas.
Por exemplo, com o tempo, o paciente consegue notar que está se sentindo pra baixo por causa de um problema que não está conseguindo resolver. Ele conseguirá descrever o problema, avaliar o pensamento que está por trás de sua dificuldade e propor alternativas ou saídas práticas para solucioná-lo, ainda que esteja sozinho ou não esteja tendo mais auxílio profissional.
Princípio 10: A terapia cognitiva utiliza uma variedade de técnicas para mudar pensamento, humor e comportamento
O terapeuta cognitivo tem à sua disposição centenas de técnicas para serem utilizadas em cada caso como, por exemplo, o questionamento socrático, descoberta orientada, técnicas de outras abordagem como as usadas na terapia comportamental ou mesmo a gestalt, tendo, claro, por base sempre o modelo cognitivo.
Neste sentido, a habilidade do terapeuta não reside apenas em conhecer centenas de técnicas, mas saber utilizadas nos momentos apropriados e para os pacientes quando delas precisarem.